Contexto
Uma fábrica de cabos elétricos, onde fui responsável de Melhoria Contínua. A gestão visual e o Kaizen diário foram construídos com dois instrumentos: quadros de equipa, preparados e testados em máquinas das quatro áreas produtivas, e reuniões de início de turno, que arrancaram numa área piloto.
O problema
O desempenho de cada turno existia nos registos, mas era consultado pelas chefias, e não pelas equipas que o produziam. As dificuldades na passagem de turno e no cumprimento do plano diário só apareciam depois, muitas vezes em forma de horas extraordinárias para recuperar o que ficou por fazer.
O que foi feito
- Um quadro de equipa no posto, com os indicadores do turno, os problemas em aberto e quem trata de cada um.
- Uma reunião de cerca de 6 minutos no início de cada turno, sempre com a mesma agenda: segurança, qualidade, desempenho do período anterior, plano do turno que começa, pontos críticos e, no fim, um espaço para sugestões de melhoria.
- O plano e o realizado, por máquina e por turno, todos os dias, e um resumo da semana anterior com a mesma divisão. É o elemento central: cada equipa vê o seu desempenho em condições comparáveis com o das outras.
- Segurança e qualidade na mesma agenda e no mesmo quadro. Mostrar só a produção pode levar a privilegiar a quantidade; com os três temas lado a lado, o desempenho é acompanhado de forma equilibrada.
O resultado
Na área piloto, as horas extraordinárias caíram 67%, com o mesmo volume de produção, comparando as quatro semanas antes e as quatro semanas depois do início das reuniões. Não houve avarias significativas nesse período que explicassem a diferença, nem sinais de degradação dos indicadores de segurança e qualidade.
É um resultado de uma área piloto e de um período curto: é um bom indício, mas não se pode extrapolar sem mais tempo nem para outras áreas.
O que a equipa aprendeu
Ver o desempenho de cada turno, lado a lado, criou uma comparação saudável entre equipas. Ouviram-se comentários sobre isso no chão de fábrica, e os responsáveis de turno confirmaram-no: as equipas passaram a acompanhar com mais atenção o cumprimento do plano diário, o seu e o das outras.
A informação vale mais perto de onde é gerada. Um indicador que só a chefia vê é um registo; o mesmo indicador, no posto e discutido em 6 minutos, passa a ser uma ferramenta da equipa.
