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Melhor.ia · por Pedro MaiaMelhor.ia · por Pedro Maia

Caso

Montar a função de Melhoria Contínua numa fábrica que não a tinha

Numa fábrica sem estrutura própria de Melhoria Contínua, a função foi criada a partir do terreno. Em cerca de dez meses ganhou entradas definidas, um método, normalização e uma reunião regular com a direção. E ficou claro o que ainda faltava.

Por Pedro MaiaPublicado a 3 min de leitura

Resultado em destaque: Cerca de 10 mesespara montar de raiz a função de Melhoria Contínua

Onde
Fábrica de cabos elétricos, quatro áreas produtivas
Resultado
A Melhoria Contínua passou de resolver problemas avulsos a um sistema com método, normalização, quadros de equipa e uma reunião regular de acompanhamento com a direção.

Por onde entram

  • Reuniões de gestão da produçãoProjetos maiores
  • Gestores de áreaSituações pontuais
  • Operadores e responsáveis de turnoObservação e sugestões
  • Diagnóstico de fluxo (VSM)Oportunidades estruturadas
  • Ferramentas de dadosPreparadas, à espera de entrar na rotina

O ciclo, igual para todos os problemas

  1. 1. Identificara oportunidade
  2. 2. Caracterizarno terreno, com dados
  3. 3. Intervircom a equipa do posto
  4. 4. Normalizarinstrução, checklist, responsáveis
  5. 5. Verificare acompanhar

Acompanhamento com a direção

Reunião de cerca de três em três semanas e um plano de ações com responsável, datas e estado, revisto em cada reunião.

Rotina nas equipas

Quadros de equipa e reuniões de início de turno: segurança, qualidade e plano face ao realizado.

O acompanhamento alimenta novas oportunidades, e o ciclo recomeça.

Contexto

Uma fábrica de cabos elétricos, com quatro áreas produtivas. Entrei no Planeamento da Produção e, em outubro de 2025, recebi o desafio de arrancar com a Melhoria Contínua, uma função que ainda não existia na empresa como estrutura própria. Durante parte desse tempo, acumulei também funções do planeamento.

É a situação de muitas PME: há vontade de melhorar e há problemas identificados, mas não há um departamento nem uma rotina para os tratar.

O problema

Oportunidades de melhoria havia muitas. Faltava uma forma de as fazer chegar a alguém, de escolher por onde começar, de acompanhar o que estava em curso e de garantir que o que resultava se mantinha.

O que foi feito

Começar no terreno, com resultados concretos. Os primeiros meses foram de melhorias visíveis: 6S em postos-piloto, o SMED numa extrusora gargalo, o consumo de cobre na blindagem. Um diagnóstico de fluxo (VSA) feito mais tarde ajudou a priorizar, mas não foi a origem do trabalho.

Definir por onde entram as oportunidades. Os projetos maiores surgem nas reuniões de gestão da produção; as situações pontuais, na conversa com os gestores de área e nas sugestões dos operadores e responsáveis de turno; o diagnóstico de fluxo acrescentou uma lista estruturada. As ferramentas de análise de dados ficaram preparadas para ser uma quinta via.

Um ciclo igual para todos os problemas. Caracterizar a situação no terreno (observação, cronometragem, dados), desenvolver a solução com a equipa do posto, normalizar (instruções de trabalho, checklists, registo de tomada de conhecimento, responsabilidades e regras de reação) e verificar.

Acompanhamento com a direção. Uma reunião de cerca de três em três semanas, com o diretor industrial, a direção de produção, os gestores de cada área e a logística interna, para rever as iniciativas, discutir os temas em curso e planear o período seguinte. Por baixo, um plano de ações com o equipamento, a descrição, o responsável (de qualquer área, não só da Melhoria Contínua), as datas, o estado e o ponto de situação, revisto em cada reunião.

Rotina nas equipas. Quadros de equipa e reuniões de início de turno, para aproximar a melhoria da execução de todos os dias.

Soluções físicas para os postos. Armários, suportes e a cabine de um posto de autocontrolo, pensada para os operadores medirem as amostras no próprio posto, foram desenhados por mim a partir dos problemas vistos no terreno.

Desenho técnico em perspetiva da cabine para um posto de autocontrolo
Desenho da cabine para um posto de autocontrolo.

O resultado

Em cerca de dez meses, a Melhoria Contínua passou de resolver problemas avulsos a um sistema com entradas definidas, um método, normalização e acompanhamento regular com a direção. Pelo caminho, deu resultados medidos: a limpeza geral de uma extrusora gargalo em menos de metade do tempo de referência, o balanço de fio de cobre de negativo a positivo, as paragens por falta de ferramenta numa linha a zero e menos 67% de horas extraordinárias numa área piloto.

O que aprendi

Muitas iniciativas Lean falham na gestão da mudança, não nas ferramentas. Desenhar a solução é a parte mais rápida; o que decide se dura é as pessoas adotarem-na e mantê-la.

A integração faz-se por camadas, e cada uma depende da anterior: primeiro resultados no terreno, depois normalização, depois rotinas de acompanhamento e só então os dados. A componente de dados foi a menos madura: as ferramentas ficaram prontas, mas a sua utilização dependia de passos da organização.

Também ficou claro o que faltava: um critério formal para priorizar as iniciativas. Escolher caso a caso dá flexibilidade, mas dificulta comparar projetos e justificar onde se põe o tempo. É das primeiras coisas que hoje proponho a uma fábrica que está a começar.

Na prática

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