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Melhor.ia · por Pedro MaiaMelhor.ia · por Pedro Maia

Caso

Defeitos na primeira volta da bobine: um ciclo PDCA completo, em pequeno

Um defeito que aparecia sempre no mesmo sítio do cabo. A localização do defeito apontou a causa, a solução foi forrar as bobines e uma instrução de trabalho garantiu que todas as equipas a aplicam. Um ciclo PDCA inteiro, de horizonte curto.

Por Pedro MaiaPublicado a 2 min de leitura

Onde
Fábrica de cabos elétricos
Resultado
Os defeitos associados a esta causa diminuíram, e a solução ficou numa instrução de trabalho aplicada por todas as equipas.

Contexto

Uma fábrica de cabos elétricos, onde fui responsável de Melhoria Contínua. Nem todos os problemas pedem um grande projeto. Este é um exemplo pequeno, mas completo, da forma como a Melhoria Contínua funciona no dia a dia: ver o problema, perceber a causa no terreno, testar, normalizar e verificar.

O problema

Num tipo de cabo com bainha cinzenta, apareciam defeitos recorrentes na superfície. Tinham uma particularidade: estavam sempre na primeira volta enrolada na bobine, a que encosta ao tambor.

O que foi feito

  • Ir ver. A análise no terreno associou os defeitos a marcas deixadas pela superfície da própria bobine na bainha. O cabo chegava ao enrolamento sem estar completamente arrefecido, e a volta em contacto direto com o tambor ficava marcada.
  • Usar o sítio do defeito como pista. O facto de o defeito aparecer sempre na volta encostada ao tambor confirmou a relação e permitiu separar uma causa de manuseamento de uma possível causa no processo de extrusão.
  • Testar uma solução simples. As bobines destinadas a estas produções passaram a ser forradas, criando uma camada de proteção entre o tambor e a primeira volta de cabo. As primeiras produções depois da alteração foram acompanhadas para confirmar o efeito.
  • Normalizar. Confirmada a eficácia, a solução passou a instrução de trabalho para as máquinas que fazem estes cabos, com o respetivo registo de tomada de conhecimento pelos operadores, para ser aplicada fosse qual fosse a equipa em serviço.

A instrução de trabalho mostra o método em quatro fotografias:

Bobine de madeira vazia e um rolo de papel crepado no chão da fábrica
1. A bobine e o papel crepado.
Ponta do papel crepado presa no tambor da bobine, antes de começar o forro
2. A ponta do papel presa no tambor.
Operador a aplicar papel crepado no tambor de uma bobine de madeira, já montada no enrolador
3. O papel aplicado, com a bobine já no enrolador.
Bobine com o tambor totalmente forrado a papel, pronta para receber o cabo
4. O tambor todo forrado, pronto para o cabo.

O resultado

O acompanhamento posterior confirmou a redução dos defeitos associados a esta causa. A solução deixou de depender de quem estava no turno: ficou escrita, comunicada e assinada.

O que a equipa aprendeu

A localização de um defeito é um dado. Um defeito que aparece sempre no mesmo sítio diz muito sobre onde nasce, antes de qualquer análise sofisticada.

E mesmo uma solução pequena precisa de ser normalizada. Sem a instrução de trabalho, o forro das bobines seria um hábito de alguns operadores, e o defeito voltaria no primeiro turno que não soubesse da regra. O PDCA vale menos pelo nome e mais pela disciplina de fechar cada ciclo, com verificação, antes de passar ao seguinte.

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Na prática

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