Saltar para o conteúdo
Melhor.ia · por Pedro MaiaMelhor.ia · por Pedro Maia

Caso

Ferramentas de análise de dados de qualidade, desenvolvidas com IA

Os relatórios de qualidade das linhas de extrusão eram guardados e só lidos depois de um defeito. Duas ferramentas, desenvolvidas com apoio de IA, passaram a poder lê-los sozinhas. O primeiro passo não teve IA nenhuma, e o último também não.

Por Pedro MaiaPublicado a 3 min de leitura

Resultado em destaque: Alerta automáticoem vez de ler os relatórios de qualidade só depois de um defeito

Onde
Fábrica de cabos elétricos, linhas de extrusão
Resultado
Duas ferramentas desenvolvidas e funcionais: qualidade dimensional (Cp/Cpk e alertas) e consumo de material (giveaway, purgas e Pareto).
  1. Relatório da máquinaLigado à ordem de fabrico (passo zero, sem IA).
  2. Pasta partilhadaO ficheiro chega sozinho ao ponto de entrada.
  3. Deteção e leituraA ferramenta deteta o ficheiro novo e lê a estrutura.
  4. NormalizaçãoCabeçalhos, unidades e formatos tratados.
  5. IndicadoresMédias móveis, desvio padrão, Cp e Cpk.
  6. LimitesCada variável comparada com os seus limites.

Classificação de cada produção, e alerta quando é preciso

  • Conforme
  • Alerta de sobreconsumo
  • Não conforme
As regras (indicadores, limites e critérios de alerta) vêm do processo; a IA ajudou a escrever o código.

Contexto

Uma fábrica de cabos elétricos, onde fui responsável de Melhoria Contínua. As linhas de extrusão geram, em cada produção, relatórios de qualidade com as medidas do cabo: diâmetros, espessuras, excentricidades e ovalidades. Os equipamentos que controlam o consumo de material geram também os seus próprios relatórios.

O problema

Os relatórios eram guardados, mas quase ninguém os analisava, a não ser depois de um defeito grave ou de uma reclamação. Os dados existiam. Faltava lê-los e transformá-los em informação a tempo de agir.

Havia ainda um obstáculo prévio: a forma como os relatórios eram gerados não os ligava de forma consistente à ordem de fabrico. Sem essa ligação, não havia análise possível por produto, por ordem ou ao longo do tempo.

O que foi feito

Passo zero, sem IA: instruções de trabalho para que cada relatório ficasse ligado à sua ordem de fabrico, preenchendo campos que as próprias máquinas já tinham.

Ferramenta de qualidade dimensional. Segue este fluxo:

  1. O relatório chega a uma pasta partilhada, já ligado à ordem de fabrico.
  2. A ferramenta deteta sozinha o ficheiro novo.
  3. Identifica a estrutura, trata os cabeçalhos e normaliza os dados.
  4. Calcula médias móveis, desvio padrão e Cp/Cpk.
  5. Compara com os limites de cada variável e classifica a produção: conforme, alerta de sobreconsumo ou não conforme.
  6. Atualiza os indicadores e emite um alerta quando algo precisa de atenção.

Ferramenta de consumo de material. Com a mesma lógica, compara o consumo teórico de material com o real em cada máquina, calcula o giveaway (material a mais por peça), a quantidade, o tempo e o custo das purgas, e mostra num Pareto onde estão as maiores perdas.

As duas foram desenvolvidas com apoio de IA (Lovable e Claude Code), que ajudou a estruturar as aplicações, a escrever e adaptar o código e a resolver problemas técnicos. Não há modelos de aprendizagem automática nem decisões automáticas: as ferramentas aplicam regras e limites definidos a partir do processo. O problema, os indicadores, os limites e os critérios de alerta vieram de quem conhece o processo.

O resultado

Ficaram desenvolvidas e funcionais duas ferramentas que tratam sozinhas os dados de qualidade e de consumo das linhas de extrusão e emitem alertas: com elas, ninguém precisa de abrir um relatório para saber se há um problema.

No fim do meu trabalho na fábrica, a utilização corrente dependia de dois passos da própria organização, e não da tecnologia: introduzir no sistema os limites de cada variável, que cabe à equipa de desenvolvimento do produto definir, e encaminhar automaticamente os relatórios das máquinas para a pasta de entrada.

O que a equipa aprendeu

A IA encurta muito o tempo entre a ideia e a ferramenta. Mas o que decide se a ferramenta serve para alguma coisa continua a ser quem conhece o processo: que variáveis importam, que limites usar, quando um desvio merece um alerta.

Antes de qualquer IA, os dados têm de estar arrumados e ligados ao que interessa. Neste caso, o passo mais importante foi o primeiro, e não teve IA nenhuma. E o último também não: uma ferramenta pronta só entra no dia a dia quando a organização decide quem define os limites, quem recebe os alertas e o que se faz com eles. É por isso que, nos projetos de dados, combino desde o início quem é o dono de cada uma destas peças.

Na prática

Serviços e guia relacionados

Tem um problema parecido na sua fábrica?

Numa conversa de 30 minutos, sem custo, percebo o problema principal e digo-lhe se e como posso ajudar.