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Caso

Fio de cobre na blindagem: o desperdício estava na margem de segurança

O balanço de consumo de fio de cobre na blindagem estava negativo desde o início do ano. A perda não estava num defeito, mas numa margem de segurança várias vezes superior ao necessário e numa estimativa da máquina que não batia com a bobine.

Por Pedro MaiaPublicado a 3 min de leitura

Resultado em destaque: Défice anuladono consumo de cobre, em três meses, com o produto igual

Onde
Fábrica de cabos elétricos
Resultado
Nos três meses seguintes, o balanço de consumo de fio de cobre passou a positivo e anulou todo o défice acumulado no início do ano, com o produto igual.

Contexto

Uma fábrica de cabos elétricos, onde fui responsável de Melhoria Contínua. No processo de blindagem, o cabo é envolvido por fios de cobre, que chegam à máquina em bobines.

Cada carga de bobines é preparada com uma margem de segurança, para garantir que o fio chega para todo o cabo. Ficar sem fio a meio de um cabo é um problema sério, por isso a margem existe por boas razões.

O problema

O balanço de consumo deste fio de cobre estava negativo desde o início do ano: consumia-se mais do que o previsto na estrutura dos artigos.

À primeira vista não havia defeitos que o explicassem. Acompanhando as cargas no terreno e medindo fisicamente as bobines no fim de cada carga, apareceram duas coisas:

  • A estimativa da máquina não batia com a bobine. O fio restante que a máquina indicava não correspondia ao que estava de facto na bobine. Uma das causas: o fio alonga sob tensão durante o processo. O resultado era trocar bobines que ainda davam para mais um corte.
  • A margem de segurança era várias vezes superior ao necessário. O excedente atribuído a cada carga acabava em sobras, pequenas metragens abatidas ou sucata.

O que foi feito

  • Medição física das bobines. No fim das cargas, passou a medir-se fisicamente pelo menos uma bobine de cada fila, em vez de confiar só na estimativa da máquina.
  • Ajuste progressivo da margem. A margem usada no planeamento foi ajustada aos poucos, confirmando em cada carga acompanhada que o fio chegava para todo o cabo.
  • Aproveitamento das sobras. Quando a medição mostrava fio suficiente, a bobine continuava em produção ou era reutilizada, em vez de ser abatida.
  • Usar o fórum que já existia. Os desvios foram discutidos nas reuniões periódicas de sobreconsumos que a gestão da produção já fazia, com as áreas envolvidas, sem criar uma reunião nova.

O produto não mudou: o número de fios, o diâmetro e o passo de blindagem ficaram iguais. Mudou apenas a quantidade de fio atribuída a cada carga.

O resultado

O efeito apareceu de forma progressiva, porque as cargas já lançadas mantinham a margem antiga. Nos três meses seguintes ao ajuste, o balanço de consumo de fio de cobre passou a positivo e anulou todo o défice acumulado no início do ano, com o produto igual.

A principal alavanca não foi gastar menos fio por metro de cabo, que depende da geometria do produto. Foi atribuir menos fio excedentário a cada carga e perder menos nas sobras.

O que a equipa aprendeu

O desperdício nem sempre está no processo nem aparece como defeito. Às vezes está numa margem de segurança que ninguém voltou a questionar depois de definida.

Medir no terreno foi o que mostrou a perda: os números do sistema diziam uma coisa, as bobines diziam outra. Reduzir a margem com segurança exigiu fazê-lo aos poucos, confirmando em cada carga que o fio chegava, para a equipa confiar na nova regra. E o ganho só se mantém se a medição e a revisão da margem continuarem: sem elas, a margem tende a crescer outra vez.

Na prática

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